Solar de Vilar Seco
História do Solar

Três séculos de história

História do Solar

Casa senhorial do século XVIII, sede dos Ponces de Carvalho e do Conde de Vilar Seco.

O Solar de Vilar Seco, também conhecido por Solar Ponces de Carvalho ou Solar do Conde de Vilar Seco, ergue-se no centro da vila de Vilar Seco, no concelho de Nelas, em pleno coração da Região Demarcada do Dão. A sua longa fachada longitudinal, rasgada por janelas de ferro forjado e coroada pela pedra de armas familiar, marca a fisionomia da via principal que conduz à Igreja Matriz.

Casa de família, casa de labor, casa de memória. Três séculos de história continuam a pulsar sob o granito da Beira, entre estuques neoclássicos, jardins franceses e adegas onde, no século XIX, se produzia um dos mais prestigiados vinhos do Dão.

Cronologia

Do século XII aos dias de hoje

  1. Século XII

    Vilar Seco nas origens do reino

    Existe notícia da povoação de Vilar Seco (Vilar Siccu) já no ano de 1100, quando Pedro Dias e sua mulher doam, em testamento, duas casas ao mosteiro de Pedroso.

  2. 1258

    Sede do concelho de Senhorim

    Nas inquirições mandadas realizar por D. Afonso III, Vilar Seco surge como sede do concelho de Senhorim, função que manterá durante séculos com Casa da Câmara, Cadeia e Pelourinho.

  3. Séc. XVII

    Os Ponces fixam-se na Beira

    A família Ponces, com origem no apelido catalão Pons (Pons de Ribelles), estabelece-se na região do Dão. Bartolomeu Ponce e Maria de Araújo fixam-se em Santar, dando início à linhagem beirã.

  4. 1758

    O casal fundador do Solar

    Casamento, em Vilar Seco, de José António de Araújo Ponces com D. Eufémia Teresa Josefa Pereira Tenreiro de Figueiredo. Tudo indica ter sido este casal a habitar pela primeira vez a casa que daria origem ao Solar.

  5. Séc. XVIII

    Casa nobre de planta em U

    O Solar afirma-se como casa nobre setecentista, de planta retangular muito desenvolvida em comprimento, com dois pisos, andar nobre, brasão central e o frontão ondulante característico das casas senhoriais do concelho de Nelas.

  6. c. 1800

    D. Maria Tomásia e as primeiras ampliações

    D. Maria Tomásia Ricardina Pereira Ponces (n. 1771), herdeira da casa, casa-se em Vilar Seco com o bacharel Silvério Rodrigues de Carvalho. A ela se atribuem as primeiras grandes obras de ampliação e remodelação do Solar.

  7. 1854

    Miguel António Ponces de Carvalho

    Senhor do Solar, Escrivão e Inquisidor do concelho de Senhorim e Presidente da Câmara para o biénio 1854-1856. Em 1866 obtém carta de brasão de armas, fixando heraldicamente o nome dos Ponces de Carvalho.

  8. 1879

    A grande remodelação oitocentista

    Joaquim Augusto Ponces de Carvalho, ou Joaquim de Melo e Lima Ponces de Carvalho, 1.º Conde de Vilar Seco, promove profundas obras de restauro e ampliação. Salões com estuques em relevo, arcos e portas lacadas a branco-marfim, folhas talhadas e pintadas a ouro: o gosto apalaçado da segunda metade do século XIX.

  9. 1894

    Casa Veva de Lima, em Lisboa

    O Conde manda construir, na Rua Silva Carvalho em Lisboa, o palacete que viria a ficar conhecido por Casa Veva de Lima, réplica em chave urbana do mesmo gosto que renovou o Solar em Vilar Seco.

  10. Séc. XIX

    As adegas do Solar

    No pátio poente funcionavam as adegas, com lagares e tonéis ainda hoje visíveis, onde se produzia um dos mais prestigiados vinhos do Dão.

  11. Até 2017

    Família Ponces de Serpa

    O Solar permaneceu na posse da família Ponces de Serpa, descendente directa dos Ponces de Carvalho, até 2017, mantendo a casa habitada e cuidada ao longo de várias gerações.

  12. Hoje

    Projeto Solar de Vilar Seco

    O Solar é hoje uma unidade de Turismo de Habitação, fruto de um projeto de recuperação que devolveu a casa ao seu uso residencial e a abriu a hóspedes. As intervenções recentes preservam a traça setecentista, os estuques, as cantarias e o ambiente de ruralidade da casa.

Arquitetura, entre o tardo-barroco e o neoclássico

Casa Objeto

Arquitetura, entre o tardo-barroco e o neoclássico

O Solar é uma construção de arquitetura residencial tardo-barroca e neoclássica, com planta retangular desenvolvida horizontalmente e cobertura homogénea em telhado de quatro águas. A fachada principal, de dois pisos, é em alvenaria rebocada e pintada de branco, com cunhais apilastrados, embasamento em cantaria de granito e remate em friso, cornija e beiral.

No eixo central abre-se um portal em arco abatido, com fecho saliente e moldura rematada em frontão de lanços, sobrepujado por um óculo circular e, sob a empena, a pedra de armas da família. No piso térreo, as janelas de peitoril ostentam as características guardas em ferro forjado em papo-de-rola. No andar nobre, alternam janelas de sacada com guardas em ferro forjado e janelas de peitoril sem guarda, num ritmo desenhado para enfatizar o eixo central.

No interior, o corredor de distribuição e o salão revelam tetos com delicado trabalho decorativo em estuque neoclássico, de pouco relevo, fruto da campanha oitocentista do 1.º Conde.

Casa de labor

Pátios, jardins e adegas

A propriedade integra uma vasta área exterior de lazer, composta por jardins franceses e dois pátios. O pátio nascente é um jardim adornado com frondoso arvoredo, ladeado por dois portões de acesso e um lago em granito com o desenho de quatro cadernas e taça redonda ao centro.

No pátio poente situam-se as antigas adegas do Solar, onde ainda se podem ver os lagares e os tonéis do século XIX, testemunhos da produção vinícola que sustentou a casa em pleno apogeu da Região Demarcada do Dão.

Pátios, jardins e adegas
Ponces de Carvalho, linhagem e sucessão

Casa Memória

Ponces de Carvalho, linhagem e sucessão

O apelido Ponces tem origem em Pons (do latim pons, ponte), nome de uma nobre família catalã ligada ao castelo de Ribelles. Em 1541, dois irmãos partem de Espanha: Jorge João de Pons fixa-se em Viseu por volta de 1550 e, modesto, passa a usar o nome João Catalão.

Já em terras beirãs, Bartolomeu Ponce, filho de João Catalão, casa com Maria de Araújo e instala-se em Santar. Daí saem gerações que cruzam Santar, Aguieira, Canas de Senhorim e Vilar Seco, até se fixarem na vila com o casamento de José António de Araújo Ponces, em 1758.

É deste tronco que descendem D. Maria Tomásia Ricardina Pereira Ponces, responsável pelas primeiras ampliações da casa; Miguel António Ponces de Carvalho, primeiro a usar o brasão; e Joaquim Augusto Ponces de Carvalho, 1.º Conde de Vilar Seco, que fixou na pedra e no estuque o gosto oitocentista do Solar.

Síntese baseada na investigação em curso para o livro «O Solar de Vilar Seco, três séculos de história», com recurso a Carlos de Azevedo (1969), Carvalho (1991), Loureiro (1988), Veríssimo Serrão (2000), Eusébio & Marques (2005), Pinto & Laceiras (2024), Abranches (1956) e Falcão (1984).

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